Há um conceito sul-coreano chamado in-yun que pode ser traduzido como destino. mais especificamente, ele acompanha pessoas que estão fadadas a se cruzar. Assim como milhares de pessoas, conheci o conceito através do filme Vidas Passadas.
Neste conceito, acredita-se que até o menor encontro casual, como o roçar de roupas na rua, é resultado de um "In-Yun" de vidas anteriores.
No filme, o casal se conhece na infância e cria uma conexão profunda. Eles se separam porque a família da protagonista, Nora, emigra para os EUA. O casal se reencontra 12 anos depois e mantém uma conexão online, até que Nora decide romper o contato, pela impossibilidade de se encontrarem pessoalmente.
E mais 12 anos depois eles finalmente se encontram pessoalmente. Porém Nora está casada. Então há um encontro um pouco doloroso, no qual eles conversam sobre as escolhas e as possibilidades. Há uma conversa maravilhosa também entre Nora e o seu marido, Arthur. E uma conversa entre Arthur e Hae Sung.
Então, o filme, apesar da tragicidade, não terminou com uma dor no peito, mas com um quentinho no coração. Como? Rs
Isso que eu gostaria de elaborar nessa escrita...
Hae Sung era um típico coreano, Arthur um típico americano e Nora, uma mulher dividida nesses dois universos - Coreia, seu país de nascimento, e EUA, país que se tornou seu lar desde seus 12 anos.
Nora era uma mulher ambiciosa e cheia de sonhos, desde criança. Afirma que quer ganhar um Nobel, mudando de prêmios com o passar da vida, mas nunca deixando suas ambições de lado.
Também é uma mulher decidida e sabe ir atrás do que quer. E isso faz com que ela sempre se escolha e escolha o que faz bem para ela, independente das consequências.
Ela escolhe o marido, que ela ama. Não que eles discutam qualquer outra opção. Mas Hae Sung diz a ela "A verdade que aprendi aqui é que você teve que partir porque você é assim. E eu gosto de você como você é. E você é alguém que vai embora."
Porque ele ama a Nora que ela se tornou, e a Nora jamais poderia escolher voltar pra Coreia.
Então, apesar de dolorido, não havia a menor possibilidade de outra realidade nesta vida. Mas Hae Sung diz pra ela "E se esta também for uma vida passada, e nós já formos algo além um para o outro na nossa próxima vida? Quem acha que somos?"
E essa frase deixa esperanças de que em outra vida as escolhas poderiam ser diferentes. De que toda a história deles tenha dado as camadas necessárias para que, na próxima, eles finalmente tenham as oito mil camadas e possam, finalmente, estar juntos.
Acho que também ajuda a refletir sobre outros pontos importantes. Às vezes precisamos deixar ir. Na vida, temos diversas bifurcações diárias, e cada escolha, por menor que seja, significa abrir mão de outra. Não dá pra viver uma vida toda ancorada nos "e ses" ou nos "quase algo". É preciso coragem para deixar ir e esperança em acreditar que o que for pra ser será.