terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Ellis Grey

Hoje eu quero refletir um pouco sobre a história de Ellis Grey. Somos apresentados a ela por meio de sua filha, Meredith que, já adulta, tem que lidar com a mãe com alzheimer. Com o tempo, vamos reconstruíndo a história de Ellis.

Ellis era uma mulher médica casada, com uma filha, que se dedicava mais à carreira do que à família. Acaba tendo um caso com o Weber, que também era casado. Ela se apaixona perdidamente e, em um dia de decisão, ela o escolhe - levando Meredith para o parque para encontrá-lo e ficarem juntos. Weber comparece para dizer que não pode deixar sua esposa - ele escolhe o óbvio, o seguro, e nunca se arrepende - em uma das cenas mais famosas, a do carrossel:

Depois, descobrimos que esse ponto de ruptura levou Ellis a ir embora do estado com Meredith. Ela deixa o marido, o que faz com que Tatcher refaça a vida com outra esposa, tenha outras filhas e abandone emocionalmente a filha com a Ellis. Também descobrimos, posteriormente, que ela estava grávida e faz a entrega legal da bebê, que volta adulta para entender sua origem - a Maggie. 

Refletindo sobre as implicações das escolhas de Ellis, a verdade é que ela era forte demais e acabou se envolvendo em um amor, deixando que esse amor moldasse e direcionasse a sua vida. Ela não entendeu que a vida era curta demais para ser triste. Quando o Weber a abandona, ela sofre demais e acaba arrastando toda a família para a dor. O pai de Meredith vira um alcoólatra que, mesmo depois de conseguir refazer a vida, sofre as consequências da vida que levou. Meredith cresce com traumas emocionais. Elis nunca mais ama outra pessoa e se dedica inteiramente à carreira.

Por isso, a história de Ellis precisa nos mostrar que precisamos escolher sermos felizes, agradecer as coisas boas vividas, mas sempre se abrir para coisas novas. Nunca deixar um trauma definir o que somos. E sempre escolher quem nos ama de verdade. Nunca enganar, evitar mentir. Valorize cada segundo que você tem. O que já passou não se pode mudar, só podemos aprender com isso. Ninguém sabe o que acontecerá amanhã, então não se preocupe tanto com o que acontecerá, aproveite cada minuto que você tem hoje, sobretudo para amar, não importa qual é a situação, em toda a situação o amor sempre vai ser a melhor opção. Mas principalmente, o amor próprio, o amor pela vida que você construiu. O amor por seus filhos, por sua carreira.

O que a Ellis fez ao ir embora foi queimar o barco.

Queimei o barco. E eu confesso que doeu assistir as chamas subindo como se queimasse também uma parte de mim que ainda queria ficar. Queimar o barco foi um ato de coragem, sim, mas foi muito doído. E por um segundo eu quis correr e salvar alguma parte, mas não havia nada para salvar, e talvez seja isso que ninguém te conta, queimar o barco não te deixa mais forte, te deixa exposta, vulnerável, nua e mesmo com esse cheiro de despedida ainda preso na minha pele, eu sei que em algum lugar depois dessa dor eu finalmente vou aprender a navegar.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

in-yun

Há um conceito sul-coreano chamado in-yun que pode ser traduzido como destino. mais especificamente, ele acompanha pessoas que estão fadadas a se cruzar. Assim como milhares de pessoas, conheci o conceito através do filme Vidas Passadas.
Neste conceito, acredita-se que até o menor encontro casual, como o roçar de roupas na rua, é resultado de um "In-Yun" de vidas anteriores.
No filme, o casal se conhece na infância e cria uma conexão profunda. Eles se separam porque a família da protagonista, Nora, emigra para os EUA. O casal se reencontra 12 anos depois e mantém uma conexão online, até que Nora decide romper o contato, pela impossibilidade de se encontrarem pessoalmente. 
E mais 12 anos depois eles finalmente se encontram pessoalmente. Porém Nora está casada. Então há um encontro um pouco doloroso, no qual eles conversam sobre as escolhas e as possibilidades. Há uma conversa maravilhosa também entre Nora e o seu marido, Arthur. E uma conversa entre Arthur e Hae Sung.
Então, o filme, apesar da tragicidade, não terminou com uma dor no peito, mas com um quentinho no coração. Como? Rs 
Isso que eu gostaria de elaborar nessa escrita...

Hae Sung era um típico coreano, Arthur um típico americano e Nora, uma mulher dividida nesses dois universos - Coreia, seu país de nascimento, e EUA, país que se tornou seu lar desde seus 12 anos.
Nora era uma mulher ambiciosa e cheia de sonhos, desde criança. Afirma que quer ganhar um Nobel, mudando de prêmios com o passar da vida, mas nunca deixando suas ambições de lado.
Também é uma mulher decidida e sabe ir atrás do que quer. E isso faz com que ela sempre se escolha e escolha o que faz bem para ela, independente das consequências. 
Ela escolhe o marido, que ela ama. Não que eles discutam qualquer outra opção. Mas Hae Sung diz a ela "A verdade que aprendi aqui é que você teve que partir porque você é assim. E eu gosto de você como você é. E você é alguém que vai embora."
Porque ele ama a Nora que ela se tornou, e a Nora jamais poderia escolher voltar pra Coreia. 
Então, apesar de dolorido, não havia a menor possibilidade de outra realidade nesta vida. Mas Hae Sung diz pra ela "E se esta também for uma vida passada, e nós já formos algo além um para o outro na nossa próxima vida? Quem acha que somos?"
E essa frase deixa esperanças de que em outra vida as escolhas poderiam ser diferentes. De que toda a história deles tenha dado as camadas necessárias para que, na próxima, eles finalmente tenham as oito mil camadas e possam, finalmente, estar juntos.
Acho que também ajuda a refletir sobre outros pontos importantes. Às vezes precisamos deixar ir. Na vida, temos diversas bifurcações diárias, e cada escolha, por menor que seja, significa abrir mão de outra. Não dá pra viver uma vida toda ancorada nos "e ses" ou nos "quase algo". É preciso coragem para deixar ir e esperança em acreditar que o que for pra ser será.

sábado, 15 de novembro de 2025

pessoas normais

Hoje quando acordei, percebi que o dia estava nublado e eu detesto quando os dias amanhecem assim. Ou faça um frio de precisar de cinco cobertas, ou abra um sol feliz, pelo amor de Deus! Realmente detesto quando o dia amanhece tão indeciso, talvez porque eu também sou indecisa e pelo menos a natureza deveria ser mais firme, decidida, imutável.
Ainda estou totalmente obcecada pela série e pelo livro Normal People. Apesar de não ser de concordância geral, assisti à série e depois li o livro, pois gosto da experiência de acompanhar duas mídias de uma mesma história, comparar, ver aproximações e distanciamentos, hábito que eu desenvolvi na disciplina de Literatura Alemã e Cinema na graduação. 
Na história, que ganhou cores melhores na série do que no livro, por mais estranho que pareça para os leitores, Marianne Sheridan se encontra com Connel Waldron. Ambos estudam no ensino médio, na cidade de Carricklea, na Irlanda. Enquanto Connel é um dos garotos populares e é de um grupo de amigos daqueles que costumamos ver em histórias de adolescentes, que fazem bullying, tratam mal as garotas e não estão muito preocupados com futuro, Marianne é uma menina extremamente inteligente que não tem amigos na escola. Esse é um ponto de dissonância entre os dois que fará muita diferença. Outro ponto importante para compreender este casal é a diferença econômica e familiar entre os dois. Marianne é de uma família rica, mora com a mãe e o irmão mais velho. Connel é de uma família pobre, mora apenas com a mãe, que é faxineira contratada na casa de Marianne. Ambos moram sem o pai, porém enquanto Marianne perdeu o pai, que era abusivo e batia na mãe, Connel nunca conheceu o pai e nem tem esse interesse.
Isso não tem grande importância na história, o que faz mais diferença é a discrepância financeira entre as famílias, principalmente ao longo do tempo.
Os dois estabelecem uma amizade quando Connel vai buscar a mãe no trabalho e, um dia, Marianne fala que gosta dele. Ele vai embora e, em um segundo contato, ele pergunta se é como amiga e ela diz que não. Ele então diz que seria complicado na escola e ela diz que ninguém precisa saber. Então eles se beijam e começam um romance secreto, no qual Marianne tem as suas primeiras vezes. Assim como nós já fomos adolescentes e fizemos escolhas boas e ruins, vemos o relacionamento deles ir se tornando um pouco tóxico na medida em que Connel não a assume na frente das pessoas e a evita na escola, convidando uma menina popular para o baile. Marianne aceita muita coisa até dar um basta na situação e sair da escola após a situação do baile. Apesar disso, não conseguimos odiar os dois. Vemos um amor sincero nascendo nos dois corações e pessoas que não conseguem se comunicar bem. 
Connel escolhe cursar Letras na mesma faculdade em que Marianne vai estudar História e Política, eles se reencontram e a história gira em torno dos encontros dos dois, faltas de comunicação e, o mais importante, como o amor entre os dois cresce, resiste e os ajuda, apesar de também causar tantos traumas.
Enfim, fiquei um pouco obcecada com essa história por alguns motivos.
Em um primeiro ponto, eu me incomodo muito com a personalidade do Connel, como ele abre mão de coisas importantes pra ele e faz escolhas erradas por um desejo de se encaixar. Talvez porque eu tenha cometido erros demais na minha juventude por essa vontade de me diluir entre os outros. 
Também me incomodo demais com a Marianne e o quanto se abuso ela suporta por achar que não é digna de amor. Talvez porque eu já estive nesse lugar de aceitar o mínimo por não achar que eu merecia mais.
No fim das contas, Normal People me faz tocar dores e traumas que eu achava que já tinha superado. 
Mas a real reflexão que eu queria fazer hoje é sobre escolhas. Há uma reflexão feita na série sobre quem eles seriam se nunca tivessem se relacionado, se ele tivesse escolhido uma faculdade diferente, se nunca tivessem se reencontrado. E é inevitável pensar quem eu seria se tivesse feito outras escolhas, se tivesse me comunicado melhor. Se não tivesse demorado 5 anos pra sair de um relacionamento abusivo, se não tivesse me envolvido com tantas pessoas que não queriam meu bem. Se tivesse levado os estudos mais a sério, se tivesse escolhido outro curso, se tivesse feito uma tatuagem. E quem eu serei daqui a 5 anos, com as escolhas que faço hoje? Sartre tinha razão quando disse que não há escolha certa ou errada, há apenas o "sustentar" a decisão tomada? E o mais importante, estou mesmo tomando essa decisão, ou nunca foi mesmo uma questão de escolhas quando claramente não havia outra opção? Como aceitar uma decisão que você (não) escolheu e seguir em frente?

domingo, 21 de setembro de 2025

Do garoto que queria voar.

    De idade, tinha apenas cinco. Mas as marquinhas de sofrimento que a vida lhe causava, isso nem dava pra contar. Era um garotinho gracioso, gostava de fazer desenhos, cantar, e fingir que era um super-herói. Conversava muito consigo mesmo.  
     O pai, após assumir a sua paternidade, resolvera se casar com a antiga namorada, e eles detestavam receber o menino. A mãe, após perceber que não foi possível conquistar o rapaz através da gravidez, resolveu abandoná-lo na casa de sua avó. Assim, ele passou a viver com a avó que, já um tanto cansada da vida, vivia reclamando que nunca teria paz, por ter que cuidar do “menino rejeitado”.
     Toda vez que ele conseguia, visitava a casa do papai, ou da mamãe, mas se sentia muito triste, pois percebia que incomodava, era um problema. Eles não o queriam ali. Não o queriam perto deles. Mas ele não sabia explicar o porquê.
     Depois de muito pensar, resolveu que a culpa era dele. Devia ter feito algo errado. Começou a desenhar e desenhar. Como iria recuperar o amor das pessoas que eram suas donas? Um dia, fez um desenho lindo, era um passarinho. Desenhou a gaiola e entendeu que pássaro na gaiola não pode ser feliz.
     “Já sei! Eles se sentem presos. Sou criança, dou muito trabalho. Eu preciso libertá-los dessa gaiola. Preciso libertar-me da gaiola. Preciso voar. Se eu voar, eles irão perceber que posso me cuidar sozinho. Se eu voar eles poderão me amar”.
     Quando uma ideia nova chega e invade a cabecinha de uma criança de cinco anos, não é de se esperar que ela desista tão facilmente. Começou a analisar os pombos que viviam invadindo o seu quintal. Precisava de penas, muitas, pois ele era maior que aquelas pombinhas. Será que dava pra fazer uma asa com lençol? Fez um desenho no seu lençol, a avó entrou no quarto, um tanto desconfiada, ele deitou em cima, fingiu que dormia. Quando a avó saiu, ele correu a cortar o lençol, na forma de duas asas. Amarrou em seus bracinhos, com muita dificuldade.
     “Eu vou conseguir”, pensava o garoto, “agora eu tenho asas”. Foi até a janela do quarto, morava no oitavo andar, subiu bem na beira da janela, respirou fundo. “Eu sou um super-herói, eu sou um super-herói”. Fechou os olhos. Abriu os braços. A avó apareceu na porta do quarto. Gritou: “Menino, o que você pensa que está fazendo?” Ele abriu um sorriso largo, ainda de olhos fechados, virou pra ela e disse:
     “Não se preocupe, vovó, eu sou um pássaro. Só quero voar. Assim, vocês terão liberdade e vão poder gostar de mim.” 
Antes que a vovó conseguisse pensar, antes que ela conseguisse alcançá-lo, ele gritou: “eu só quero voar, vovó”.
     Abriu os bracinhos.
     Voou.
Cristiane Figueiredo

sábado, 20 de setembro de 2025

Filme - Antes do Adeus

 

Assisti a este filme recentemente e estou completamente obcecada. Nele, acompanhamos a história de duas personagens, Nick e Broke. 

Nick é um músico e o filme inicia com ele tocando na estação, quando vê uma mulher passar correndo e perder o trem. Como é o último e ela parece desesperada para ir embora, ele engata com ela uma saga na cidade, conversando e dividindo conselhos sobre a vida, enquanto tentam resolver o problema dela da volta pra casa.

Falam de amor, relacionamentos, destino e escolhas, gerando uma reflexão sobre nossas próprias escolhas e sobre as consequências delas. Quem é você? Você sabe que tem escolhas e não está preso nas situações que surgem na sua vida? Você é capaz de tomar atitudes?

Lembrando um pouco a minha trilogia preferida (Antes do amanhecer), parece um filme de romance, mas não temos finais felizes aqui, e é neste quesito que o filme acaba mal avaliado por alguns telespectadores, que não conseguem lidar com um final tão brutal e honesto.


sábado, 21 de junho de 2025

30 dias escrevendo... dia 09! (uma lição que você aprendeu ao longo dos anos)

Crescer dói.
Mas você não quer ser um bobão parado no mesmo lugar, todos os dias.
Então você vai precisar aprender a sentir dor.
Assim como você se acostuma com as injeções, você precisa aprender a sentir dor. 
Precisa aprender a bater o seu pé firme e lutar pela sua vontade.
Porque a vida é sua.
E só sua.
E você não pode esperar que dê tudo errado para culpar o outro.
A sua vida depende de você.
Se isso não te faz se levantar correndo e aguentar qualquer dor, não sei o que mais faria.





terça-feira, 4 de março de 2025

30 dias escrevendo... dia 08! (algo no passado que você não conseguiu dizer)

Você pode amar alguém e mesmo assim se distanciar, por entender o quanto essa pessoa faz mal a você. 
Você pode sentir que alguém faz tudo por você e ao mesmo tempo perceber que ela também te machuca das piores formas possíveis, porque o que ela faz de bom não apaga nem contrabalanceia as coisas ruins. Se ela faz algo ruim, acabou, você precisa se afastar. Não existe meio termo. Quem te ama não pode te machucar.
É por isso que eu preciso ir embora. E eu vou embora de novo. E de novo. Porque, por mais que haja amor, não é o suficiente para apagar todas as vezes que você me destruiu. E o amor mais importante tem que ser o meu amor por mim.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

30 dias escrevendo... dia 07! (Músicas que no passado você adorava)

As músicas que eu adorava no passado são as que eu amo até hoje: 
Charlie Brown Jr. - destaque para Aquela Paz
Fresno - destaque para Milonga
Esteban - destaque para Segunda-feira